MUSA DO BLOG


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

UTOPIAS LUPINAS: FINA FLOR E UMA AUTOESTRADA NO ADEUS





(À MEMÓRIA DE WARLEY LOBO TEIXEIRA (+21/02/2010, domingo)

19/02/2017, 13h45min

Por Sérgio Oliveira
aquinoticias@R7.com
Fotos: DIVULGAÇÃO

Houve um tempo couraçado por um minuto quase no plural,

Não chores! Assim se lia no voejar do taperuçu-de-coleira-branca esboçado no mural.

Houve um silêncio, peixes no aquário sorrindo e uma página rabiscada no diário,

E o autor asilado por trás da tela do computador, ah! Sim, reinventou um adagiário.

Houve um meio sem fim de uma puerícia na porta da saudade triunfal,

Uma trilha sem caminho para um retorno categórico para a cidade natal.

Um lobo uivador, o primeiro amor, uma estação pintada a lápis e papel,

E o lobo se foi com destino aos braços do Pai celestial, que o acolheu no Céu.

Agora impera o “Não vás tu”, no império negativo de uma partida, de despedida, sem direito.

O coração aqui chora, no peito do poeta, que transcreve no “Tu foste”, no indicativo do pretérito perfeito.

Agora as quimeras lupinas seguem em viagem, sem navio e chão,

Não possui casa terrestre, vive no Paraíso, minha crença alimenta essa imaginação.

A cicatriz da dor da ausência nos faz calar na multidão da sombra do vulcão sem cinzas e lavas,

O novo tempo, que não começou, nada soma a não ser o meninos que tocam suas Sigumbarvas.


Houve um depois de um agora no texto, um mundo sem praias, praças e veredas.

Não houve o imperativo afirmativo do verbo voltar! O “volta tu” teve a vida ceifada nos vértices das idas.

A aragem ainda aviva na colina sem tempo para grande afã,

D'outro modo, a nuvem do último estio ficou órfã.

Hoje, sem outro modo, não vejo cores nos mastros das bandeiras,

O sol disse adeus em pleno terço de um meio dia, e relâmpagos atravessaram as fronteiras.

A madrugada ficou para trás, sorriso maroto passou a ser “tu foste” do pretérito perfeito.  

Enfim, por onde anda o lobo da Academia Calçadense de Letras, o culto do punho direito?

Estarás tu na estrela mais brilhante do céu,

Ou dormirás tu no cantinho mais doce do favo de mel?

Metáforas, elocuções, alvitres lupinos e um houve um tempo com um “agora”.

A lauda do livro ainda não escrito sugere licença poética no “que tu o possas”, do presente do subjuntivo,

Elucubrando, trazendo à tona a memória do menino lobo, cujo corpo físico morreu, mas o espírito continua vivo,

Em utopias lupinas, fina flor e uma autoestrada no adeus,

De um jovem promissor que agora habita na morada de Deus.












Calçadense encontra cão desaparecido há 59 dias

PINGO, DE QUATRO ANOS, ESTAVA DESAPARECIDO DESDE A NOITE DE 31 DE DEZEMBRO DE 2016. ELE FUGIU DE CASA APÓS SE ASSUSTAR COM O BARULHO DOS FOGOS DA VIRADA DE ANO. 


Por Sérgio Oliveira

aquinoticias@R7.com
Foto: Divulgação

Uma família de Guarapari, no Estado do Espírito Santo, recuperou seu cão de estimação que estava desaparecido há 59 dias, anunciou na noite de domingo (19) o seu tutor, Wilson Venezes dos Santos Neto, de 37 anos.

   Pingo estava desaparecido desde 31 de dezembro de 2016

O cãozinho, quatro anos, marrom e olhos castanhos, sumiu na Rodovia do Sol, próximo a Guarapari, na Região Metropolitana do Espírito Santo. Ele fugiu para a rua, após se assustar com o barulho dos foguetes durante uma queima de fogos realizada no Bairro Perocão, n° 80, na noite de 31 de dezembro de 2016.

Conforme Wilson Venezes dos Santos Neto, Pingo foi encontrado sem querer, próximo a Escola Marinalva Aragão Amorim, em Pontal de Santa Mônica, Guarapari.

-Meu cunhado José Antonio de Oliveira, natural de São José do Calçado, e minha irmã Michelle Araújo Venezes de Oliveira, natural do Rio de Janeiro, estavam indo para um culto na Igreja Missão Guarapari, por volta das 20h do domingo. Quando Pingo avistou José Antônio e Michelle, chorou muito e fez xixi. Foi Deus que colocou eles no caminho de Pingo. Estamos felizes com a volta dele-, desabafou.

O casal José Antônio e Michelle, encontrou Pingo 

Wilson agradeceu a todos, que de uma forma ou outra, ajudaram para que o desaparecimento do bicho de estimação tivesse um final feliz.

- Gente, hoje é um dia muito importante para mim e minha família. Ainda não estou acreditando que encontrei meu cachorro. Isso mesmo, depois de 59 dias, Pingo está de volta. Agradeço a Deus por ter colocado Yang Eletrônica e Michelle Venezes no caminho onde ele estava, e a eles também. Ele está bem. Quando me viu parecia não acreditar de tanta felicidade. Agora ele já esta acomodado em sua caixa rs. Agradeço também a todos que compartilharam sua foto nas redes sociais, e a Paulo Sérgio Serginho, por ter divulgado em seu Blog. Muito obrigado amigos e amigas. Estou muito Feliz-, postou Wilson no Facebook.








sábado, 18 de fevereiro de 2017

VICTOR COELHO VISITA AEROPORTO MUNICIPAL

Por Sérgio Oliveira
Fotos: Divulgação 

Cachoeiro do Itapemirim, no Sul do Estado, vem colhendo cada vez mais os frutos produtivos do prefeito Victor da Silva Coelho (PSB). Na sexta-feira (17), acompanhado pelo deputado Federal Evair de Melo (PV), esteve no Aeroporto Municipal para averiguar as providências que necessitam ser tomadas tendo em vista a ampliação e melhores condições do local. 

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, nuvem, céu, atividades ao ar livre e natureza

A imagem pode conter: 5 pessoas, pessoas sentadas e área interna

Conforme Victor Coelho, o Secretário de Desenvolvimento Econômico, Felipe Macedo, está encarregado de alinhar os projetos do Governo do Estado e da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), além de colocar em prática as primeiras medidas que competem a prefeitura para iniciar a captação de recursos para o aeroporto.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

113 anos de vida é uma história de superação

36 TRANSIÇÕES DE PRESIDENTES FORAM FEITAS NO BRASIL APÓS O NASCIMENTO DA IDOSA

Por Sérgio Oliveira


Fotos: Sérgio Oliveira



Em um domingo de 13 de maio de 1888, a Lei Áurea deu um basta na escravidão no Brasil. Uma década e 6 anos depois, nascia em Cachoeirinha de Rio Pardo, no Sul do Estado, Maria Azevedo de Assis (nome de solteira): 17 de fevereiro de 1904, quarta-feira, assim confirma a certidão de nascimento da idosa de 113 anos. 

Dona Maria, na janela, pensando nos 113 anos de muita luta

Alessandro de Paula, jornalista do jornal aTribuna, amigo de longos anos de Dona Maria

Após a Programação da República em 15 de novembro de 1889 (sexta-feira), os brasileiros deixaram de ser governados por um monarca e passaram a ser governados por um presidente. Antes do nascimento de Maria Azevedo de Assis, os Presidentes do Brasil foram Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, Marechal Floriano Vieira Peixoto, Prudente José de Morais Barros e Manuel Ferraz de Campos Sales. Ela nasceu quando Francisco de Paula Rodrigues Alves (Rodrigues Alves) era presidente. 

E romper a barreira dos cento e treze anos, ou seja, 41. 273 dias de vida, contando os 28 anos bissextos, prodigalizando saúde com fôlego de adolescente é um acontecimento impar. Em São José do Calçado, no Sul do Estado, em meio a uma longa caminhada de altos e baixos, uma anciã nos dá uma lição de como driblar os percalços da vida. E que vida: 113 anos!

A palavra ‘dificuldade’ esteve sempre presente na vida de Maria Miranda de Assis (nome de casada), que se agarra à sua fé para não fraquejar nas tempestades da vida. Seus pais Francisco Tomas de Assis e Antônia Pereira de Azevedo nasceram em Minas Gerais. Ela crê que pela lei da vida, nenhum de seus 15 irmãos esteja vivo. Afirma ainda que a labuta na roça roubou toda sua infância, onde teve que se dedicar às atividades do campo, ao trabalho de preparo de terra, ao plantio e à colheita de grãos, pegando parte de um tempo da escravidão.

A idosa nasceu em Cachoeirinha de Rio Pardo, em 17 de fevereiro de 1904 (quarta-feira). Conforme documentos, em 1943, pelo decreto da lei estadual nº 15177, de 31 de dezembro (sábado) daquele ano, Cachoeirinha de Rio Pardo passou a ser chamado “Irupi”, nome de origem indígena que significa “amigo belo” e “águas tranquilas pequenas”, elevado à categoria de município com a denominação de Irupi, pela lei estadual nº 4520, de 16 de janeiro de 1991 (quarta-feira).

Ela se casou apenas uma vez, em Cachoeirinha de Rio Pardo, aos 21 anos. Em seguida foi morar em São José do Calçado, que, na época, era apenas capoeirão com uma pequena fila de casas. E do enlace matrimonial com Cândido Rangel Miranda (+15/09/1991, domingo), nasceu 12 filhos biológicos, no entanto somente cinco estão vivos. Já netos e bisnetos perdeu a conta.

Dona Maria desabafa dizendo que nesses 113 anos de vida, o dia mais feliz de sua vida foi o nascimento de seu primeiro filho. A morte de sete de seus 12 filhos, seu esposo e do cão Bob, companheirinho de três patas, são fatos que o tempo não apagou de sua memória. 







Bob, o tataraneto inusitado, era muito querido na região. Foi destaque nos principais periódicos do Estado

Convivendo com a diabetes mellitus, bronquite e pressão arterial, ficou apenas uma vez internada em um hospital, isso, depois de 100 anos. Vive apenas com a aposentadoria do marido que morreu há 25 anos. Crê que Deus decide o tempo de vida de cada pessoa na terra, descartando a ideia que viver muitos anos tenha a ver com o tipo de alimentação que usamos.

- Uso bastante gordura de porco e óleo de soja. Verduras e bananas são meus preferidos no dia a dia. Quase não como carne, a não ser carne de porco. Ainda estou de pé. A vida é uma batalha constante em um navio em alto mar, onde a tempestade testa nossa fé -, analisa.

Evangélica desde mocinha, sempre usa uma bandana. Todos os dias, exceto aos sábados, desce três morros para ir aos cultos na Igreja Universal do Reino de Deus. Desde 2006 até 2015, sempre esteve acompanhada de seu cão conhecido por todos como Bob, o qual o considerava como um tataraneto inusitado, uma vez que a história do bicho de estimação foi escrita de amputação, sangue, dor e superação, pois quando o referido animal tinha 4 meses de vida, em 2006, foi atropelado e perdeu uma das pernas, também a metade de uma orelha e teve que ser castrado. Porém, em 9 de novembro de 2015 (segunda-feira), o bichinho morreu de câncer. E isso foi mais um golpe triste na vida de Dona Maria.

Bob, na porta da igreja.

Baque total

Em cinco de maio de 2011 (quinta-feira), a idosa sofreu um grande baque. O desejo de receber e ler um exemplar do jornal Aqui Notícias que trazia o especial “Dona Maria e Bob: Dois exemplos de superação” não se concluiu para um dos seis filhos da Idosa de 113 anos. Na época, numa quinta-feira, por volta das 6h, Cândido de Assis Rangel, 54 anos, após se sentir mal em sua residência, em São José do Calçado, morreu vítima de Infarto fulminante.

Na véspera do falecimento de Cândido, o mesmo pediu a um repórter do Jornal Aqui Notícias que guardasse para ele um exemplar da edição que trazia uma homenagem à mãe dele de 107 anos (naquela época) e o cão Bob, dizendo que estava ansioso para ver o jornal. Porém, horas depois seu pedido foi interrompido pelo sinistro.

Dona Maria mostrando sempre alto-astral e interagindo e, o melhor, sem reclamar de nada, questionada pela reportagem a respeito da lucidez, a visão excelente e o motivo de sua longevidade, diz que não tem receita, apenas a fé em Deus, pois Deus permitiu e lhe proporciona forças e saúde para viver todos esses anos.

- Até os meus 111 anos de vida, meu dia começava cedo, às 5 horas da manhã fazia café e descia vários morros à procura de materiais recicláveis, retornando quatro horas depois, com muitas garrafas e papelão para vender. Sobrevivo com apenas a aposentadoria (R$ 937,00) do meu marido. Sou analfabeta, mas conhecedora da Bíblia Sagrada. Busco a Deus, ouço música gospel, arrumo a casa e cuido de meus cães -, finaliza, a idosa que tem uma memória que funciona como o Google - cada vez mais rica em informações. 


Dona Maria mostrando ao cinegrafista Andrade, da TV Gazeta, o local onde planta verduras.











O repórter da TV Gazeta (ES), Ewerton Vignolli, ao lado de Dona Maria


HISTÓRIA DE BOB

BOB PADECIA DE CÂNCER E TEVE MORTE ABREVIADA POR “EUTANÁSIA”. ELE FOI DESTAQUE EM MUITOS JORNAIS DO ESTADO

Bob morreu na manhã de segunda-feira (09/11/2015), em São José do Calçado, no Extremo Sul. O famoso cão de três patas foi encontrado morto ao lado de sua residência, em uma praça de prática de Skate, localizada na Rua do Ibis. Bob era uma lenda na região.








De acordo com os tutores de Bob, ele padecia de um tipo de câncer, e estava muito debilitado. E como gostava de tomar banho de sol em um local conhecido como Pracinha do Skate, acreditam que alguém tenha praticado eutanásia, para abreviar seu sofrimento. Sua tutora, Maria Miranda de Assis, de 113 anos, disse que se lembra de Bob todos os dias, pois o considerava como um tataraneto “diferente”. E que Bob sempre a acompanhava para ir aos cultos na Igreja Universal do Reino de Deus. Que sempre se comportou, e jamais entrou no templo evangélico, pois ficava esperando-a deitado na porta da igreja.

Nascido em abril de 2006, a história de Bob foi escrita de amputação, sangue, dor e superação, pois, aos 4 meses de vida, foi atropelado e perdeu uma das pernas, também a metade de uma orelha e teve que ser castrado.

Ângela Maria Monteiro Tavares, professora aposentada, custeou todo tratamento dele numa clínica de animais em Guaçuí. O clínico geral em veterinária médica, Kassiano de Paula Castro o operou. Após a cirurgia, Bob passou uns meses na roça, na casa da professora Ana Olívia Almeida, para que reaprendesse a andar. 






















































quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

CALÇADENSE PULA EM RIO PARA RESGATAR BONECA DE CRIANÇA AUTISTA

Por Sérgio Oliveira
Foto: Divulgação

E em um mundo cercado de individualismo e violência, ainda tem pessoa que se importa com a dor do próximo. O gari Sidronílio Caetano Silva, de 51 anos, natural de São José do Calçado, no Sul do Estado, se comoveu ao presenciar o desespero de uma criança autista, que deixou sua boneca cair no Rio Itapemirim, em Cachoeiro de Itapemirim.

Quando vi a menina sorrindo senti que valeu a pena todo o esforço- enfatizou Sidronilío.

Sidronílio, 51, em um ato de coragem e amor ao próximo, se jogou nas águas do Rio Itapemirim, nadou cerca de 1 km, arriscou sua vida na correnteza entre as pedras até conseguir resgatar a boneca de uma garota autista. Ele perdeu seu CPF, mas a ação  dele comoveu os internautas nas redes sociais, devolvendo a alegria da menia Alicia.

A dona de casa Lucelene Ribeiro, 34, mãe de Alicia, contou que a filha é apaixonada pela boneca. Que leva o brinquedo para toda parte e não dorme sem ela. 

-A ação de Sidronilio foi heroica. Somos muito gratos pelo que fez-, ressalvou.

A boneca caiu no Rio Itapemirim na tarde de segunda-feira (11), na altura da Churrascaria Rio Grande. Alicia estava nos braços da avó e chorou muito. Após o fato, a avó e a mãe de Alicia caminharam à beira do rio, e seguiram a boneca que era levada pela correnteza. O brinquedo desceu quase um quilômetro até ser resgatada por Sidronílio, ou Tijolinho, como é carinhosamente conhecido.

Houve um desencontro entre o gari, a mãe e a avó da criança: Sidronilio não conseguiu contactar a mãe de Alicia. Lucelene também tentou encontrá-lo, mas não conseguiu. ‘Tijolinho’ decidiu pedir ajuda por meio da página Utilité, no Facebook. Uma amiga do ‘homem do resgate’, que sabia da história, viu a postagem da mãe e ajudou os dois a se encontrarem. Quando Alicia avistou a boneca nos braços de Sidronílio, ela o abraçou.

- Quando vi a menina sorrindo senti que valeu a pena todo o esforço- enfatizou Sidronilío.

-Ele não se arriscou por causa de uma boneca. Foi por causa de uma criança. Minha filha não parava de chorar e não iria conseguir dormir à noite, mesmo se eu comprasse outra boneca, pois ela compreende tudo e saberia que a dela se perdeu-, finalizou Lucelene Ribeiro.



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Ex-prefeito Antônio Borges comemorou 88 anos

Por Sérgio Oliveira
Fotos: Divulgação

No sábado (11), quem comemorou antecipadamente os 88 anos de vida, que na verdade, seria no domingo (12), foi o ex-prefeito de São José do Calçado, no Sul do Estado, Antônio Borges de Rezende. Ele foi prefeito por duas vezes: 1970 a 1972, pelo partido ARENA (2.176 votos) e 1976 a 1982, partido ARENA II (2.438 votos) e vereador (1958 a 1962, partido PSP, 402 votos). 

Em sua residência, onde mora há cerca de 60 anos, comemorou a passagem dos ‘88’, ao lado da família e amigos. Ele recebeu muitas felicitações pessoalmente e pelas redes sociais, de amigos, parentes e correligionários, não apenas pelo glorioso passado político, mas pelo ser humano que é. Membro da Academia Calçadense de Letras,  bem firme e lúcido, soprou as velinhas do bolo ao  lado de amigos e familiares, ladeados de grandes escritores como Zatonio Lahud Neto, Gilberto Vieira de Rezende, Jamir Gibraia Bullus Junior, Verconda Spadarott e Maria da Penha B. de Rezende Teixeira.

   Antônio Borges ladeado da esposa Mariinha, soprou as velas









O aniversariante ladeado da esposa e filhos 





































ELE

Em uma terça-feira de 12 de fevereiro de 1929, nasceu em São José do Calçado, o segundo filho de José Teixeira Vieira de Rezende (Zezé Vieira) e Maria Alice Borges de Rezende (D. Mulatinha). Estudou na EEEFM Mercês Garcia Vieira. Em 20 de abril de 1958, em um domingo, aos 29 anos, casou-se com Maria de Oliveira Vieira Rezende (D. Mariinha), com quem trouxe ao mundo Gilberto Vieira de Rezende, José Antônio Vieira de Rezende, Marcelo Vieira de Rezende e Cláudia Vieira de Rezende (nome de solteira). Já netos, eles têm a Alice, Laura e Luiza (gêmeas), Jadi, João, Hassan e Hafelli. 

Trabalhou em sua fábrica de telha e tijolos do município e em sua propriedade rural, no Banco de Calçado, fundado por Pedro Vieira (*27/09/1903, domingo, na Fazenda da Segunda + 30/10/1988, domingo, Vitória (ES) e na CAVIL-Cooperativa Agrária Vale do Itabapoana Ltda. Morou na Fazenda Velha. Quando se casou mudou para a rua, próximo ao Grupo Escolar Manoel Franco. 

POLITICA

Deixou sua marca em seus mandatos. O jornal "O Colégio em Revista", fundado por Sinval Raymundo Machado, do Grêmio Lítero-Esportivo "RUY BARBOSA", do Colégio de Calçado, em sua edição de nº 6, de 15 de maio de 1962, traz uma nota, redigida pelo recém-empossado presidente, o estudante Jonacy Sant'Ana de Moraes, que hora, agradecendo a ajuda dada ao órgão noticioso. Realizou a primeira Exposição Agropecuária do município; construiu a primeira escola para presos, no Estado; viabilizou a construção da rede de coleta do esgoto e a estação de tratamento e distribuição de água potável da sede municipal. São estas algumas de suas ações nos seus dois anos de mandato, pois, por força de decreto presidencial, aquele mandato só teve dois anos de duração.

Já o mandato nas eleições de 15 de novembro de 1976 durou 6 anos. Entre os feitos da administração estão a Vila Agrícola em Airituba, a abertura e infraestrutura completa de três novos bairros: Mundo Novo, Serra Pelada, Terra Roxa, respectivamente Bairros José Hermogenes, Astolfo Virgílio Lobo, Pedro Ideraldo de Almeida Lima, o ginásio poliesportivo e o Colégio de São Benedito. A ele foi concedido o titulo de "PREFEITO DA EDUCAÇÃO". Nos dias de hoje, mantém sua rotina, gerenciando sua propriedade rural e, ao lado de sua importante companheira e esposa, D. Mariinha.

BIBLIOTECA HOMERO MAFRA

Foi inaugurada, na manhã de 20 de maio de 1972, em um sábado, atrás da Matriz São José, a Biblioteca Homero Mafra, que sempre abrigou nossos poetas, estudantes, escritores, tradutores e leitores. E isso foi mais uma bela ação do ex-prefeito Antônio Borges de Rezende. Também no mesmo dia, foi inaugurada a Praça Monteiro Lobato.














                                 Biblioteca Homero Mafra

Poucos políticos conseguiram deixar seus nomes no pódio mais alto e ao mesmo tempo ser exemplos de cidadãos honrados e representar o município com as cores fiéis da justiça e competência. Um desses notáveis ex-políticos é conhecido por Antônio Borges de Rezende.  Em suas atitudes merecidas de destaque e aplausos, distingue-se um projeto de lei enviado para a Câmara Municipal local, em 25 de novembro de 1977, numa quinta-feira, deprecando uma reparação de uma injustiça, perpetrada contra o Dr. Astolpho Virgílio Lobo (vereador 1920 a 1923), prefeito (1919 a 1920), (1923 a 1924), (1933 a 1934), quando no último este se afastou para candidatar-se a Deputado Estadual, vencendo em 1934, eleito presidente da Assembléia Legislativa, assumindo ainda por certo tempo o cargo de governador, no afastamento temporário de seu titular.

No documento, o ex-prefeito Antonio Borges de Rezende dizia que inegavelmente, o referido injustiçado, foi um dos homens que mais realizou em prol do desenvolvimento do município, que o eminente conterrâneo deixou marcas indeléveis de sua passagem pela vida pública.

-Entendemos que devemos ser gratos aos que por nós lutaram. Pertencemos a uma geração que pouco conheceu o ilustre homenageado. Justamente por isso, certamente, ela indagará a razão dessa homenagem. Temos certeza absoluta de que revendo a história deste município, a nova geração ficará solidária conosco, porque, como nós, encontrará as razões desta homenagem que, em nome do povo e da justiça, estamos submetendo à apreciação desta Colenda Câmara-, diz o documento.

AGRADECENDO

Em 1977, o ex-presidente da Câmara Municipal, Sizenando de Sá Viana, recebeu da Srª Maria Gomes Lobo – viúva do Dr. Astolpho Virgilio Lobo  - um ofício agradecendo a homenagem póstuma. O documento datado de 17 de novembro de 1977, numa quinta-feira, oficio n° 85/87, comunicava que havia sido dado o nome de Astolpho Virgilio Lobo a um bairro da cidade de São José Calçado. A viúva, os filhos Ataupho, Joffre, Maria José e Astolpho agradeceram aos edis a homenagem, dizendo que sempre ouvia dizer que o povo de Calçado se destaca entre os demais na prática rigorosa dos preceitos da justiça.

-É o que se evidencia da iniciativa do prefeito municipal Antônio Borges de Rezende, líder incontestável da renovação de valores políticos da nossa terra, remetendo à Câmara de Vereadores a mensagem em causa. Sem dúvidas, foi uma nobre atitude a soar como estimulo a todos aqueles que se dedicam com amor e retidão ao trato dos interesses públicos. Calçado tem em sua história, permita-me a modéstia, duas figuras políticas realmente marcantes - Astolpho Virgilio Lobo e Pedro Vieira Filho. Ambos situaram os problemas calçadenses acima dos seus próprios interesses econômicos; ambos sonharam constantemente com o progresso de Calçado e ajudaram com destacada liderança a realização de muitos desses sonhos. E são eles, por certo, os responsáveis mais diretos pela concretização das obras de mais vulto, feitas com os recursos locais. Entre outros, a construção do Ginásio de Calçado, grandioso monumento do ensino-, dizia certo trecho do documento escrito por Maria Gomes Lobo.

OUTRAS OBRAS DO EX-PREFEITO ANTÔNIO BORGES DE REZENDE

      Piscina do Ginásio de Calçado 
. Construção do prédio da Biblioteca Municipal Homero Mafra,


. Abriu (com mil horas de trator) a serra de Alto Calçado,

. Fez a terraplanagem do Bairro Pedro Ideraldo de Almeida Lima (Terra Roxa),

. Desenvolveu uma dezena de outras obras, principalmente o calçamento de várias ruas. Além disso, entre outras obras, realizou a 1ª Exposição Agropecuária do município, ainda no terreno abandonado do IBC.
. Terraplanagem do Bairro Astolfo Virgílio Lobo (Serra Pelada),
. Construiu 72 casas populares no Bairro Astolfo Virgílio Lobo (Serra Pelada), através do Instituto Jerônimo Monteiro,
.Construiu a Quadra de Esportes do Ginásio de Calçado (Quadra de Esportes Samuel Rezende da Fonseca)
. Construiu o Ginásio de São Benedito,
. Ampliou e reformou o Grupo Escolar Manoel Franco,


 Grupo Escolar Manoel Franco 


. Conseguiu a posse (em comodato) da Fazenda da Rocinha, de propriedade da UFES,

. Construiu postos de saúde em todos os distritos bem como a Agrovila de Airituba, além da aquisição de uma moto niveladora e dois caminhões, com recursos do BANDES,

. Deu inicio à eletrificação rural do município e dos serviços de telefonia DDD.

. Fez o calçamento de várias ruas e bairros.
































































































































































































































































sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Gelo Seco: ‘Suando frio’ e -78°C transformado em Punk Rock

A BANDA É UMA FIGURA EMBLEMÁTICA DE CONCEIÇÃO DE CASTELO. DE “ROCKY BALBOA” A “DEIXANDO LANA”, CANÇÕES QUE RETRATAM O COTIDIANO DE UMA CIDADE DO INTERIOR

Por Sérgio Oliveira

aquinoticias@R7.com

Fotos: Divulgação 



Cidade do interior traz à tona um domingo frio, pacato, jovens beijando na boca, sentados em bancos da praça e uma história de amor mal resolvido, ao som de “Amy's back in Austin”, do Little Texas. Não diferente desse cenário, em 2001, aos 15 anos, o locutor Makson Côra começou a ouvir punk rock encabeçado pelas bandas Ramones - considerada como precursora do estilo - e Green Day, nome derivado de uma gíria americana que significa deixar de fazer suas obrigações para ficar fumando maconha o dia todo. Daí por diante, nasceu a tese de que todo roqueiro tem o sentimento frágil destroçado por uma palavra pequena, de quatro letras, que tem anagrama de Roma: Amor. E nos 12 anos, nas rodovias do punk rock, desde quando o locutor/guitarrista e vocalista Makson Côra, hoje com 31 anos, fundou a Gelo Seco, banda de punk rock, batizada por esse nome, devido a um erro de tradução da língua inglesa, fruto de um ‘broken English’, que se tornou uma figura emblemática de Conceição do Castelo, na Região Serrana do Espírito Santo, o movimento musical e cultural surgido em meados da década de 1970, que tem como principais características músicas simples (que geralmente não passam de três ou quatro acordes), rápidas e agressivas, temas que abordam ideias anarquistas e revolucionárias, ou sobre problemas políticos e sociais como o desemprego, guerra e a violência, perpetuou na memória dos jovens que presenciaram, ou não, o nascimento da Gelo Seco.


Makson, em sua terra natal, o retrato de “Amy's back in Austin”










Conceição do Castelo com cerca de 11.851 (IBGE 2009) habitantes, localizada a 95 km da capital Vitória, que integra a Região das Montanhas Capixabas e foi colonizada por europeus, principalmente portugueses e italianos, ganhou destaque nacional e internacional pelo charme das mulheres bonitas, entre elas, a jornalista Rita de Cássia Paste Camata e Nadine de Vargas Daré, eleita em abril de 2010, a Miss Continentes Del Mundo. Mulher bonita e música andam lado a lado.


Nadine de Vargas Daré (*28/07/1996, em um domingo, Conceição do Castelo), eleita em abril de 2010, a Miss Continentes Del Mundo





COMEÇO 

Formada em 2005 pelo ‘frontman’ Makson Côra, a Gelo Seco passou por mudanças de instrumentistas. Mantendo sólido o seu nome nos anais do punk rock desde o lançamento do clássico “Gelo Seco” (2008), Makson sempre foi a alma da banda, figura irreverente com suas roupas velhas, cabelos diferentes e tendo direito até show de cuecas.


Makson, em seus tempos de cabelos compridos









O locutor ao estilo Bret Michaels 

Atualmente formada pelo estudante de Engenharia Mecânica Marcos Tadeu Gabriel (*23/01/1987, às 15h, sexta-feira, em Jaciguá, distrito de Vargem Alta) baixo, o futuro engenheiro civil Alex Mesquita, (*28/11/1984, terça-feira, às 21 horas, Rio Branco-AC) bateria, e Makson Côra (*05/09/1985, quinta-feira, às 17h35, Hospital Padre Máximo, Venda Nova do Imigrante, que pertencia a Conceição do Castelo e emancipou-se em 1989), vocal/guitarra, a Gelo Seco lançou recentemente o terceiro CD, “Rocky Balboa”, em alusão ao famoso lutador interpretado pelo ator Sylvester Stallone no cinema. E quem não se lembra do Apolo? Na discografia ainda tem “A Decadência do Rock n'Roll” (2012) e o autointitulado “Gelo Seco” (2008). 



















Makson, Ronan e Rafael






Makson, que tem formação em Administração de Empresas pela Faculdade de Administração de Empresas da Univeneto em São João de Viçosa (ES), é filho único e teve uma infância solitária e carimbada por mudanças de cidades – estilo John Denver – como de Conceição do Castelo para Cariacica, de Cariacica para Venda Nova do Imigrante, de Venda Nova do Imigrante para São João de Viçosa e de São João de Viçosa para Conceição do Castelo (bis!). Fazia amizades, que duravam pouco tempo, devido a mudanças de cidades. Aos 8, parou de mudar de cidades, pois já se sentia um John Denver, passando de base em base. Foi aluno aplicado na escola, jogava futebol e adorava esportes. 

-Não sabia dessa história do John Denver. Tomara que eu não morra em um acidente de avião, assim como ele morreu-, diz Makson.

Aos 13, conheceu Rones Castelan (*26/05/1974, domingo, Castelo-ES), que tocava guitarra na banda Amigu’s, banda de forró de Conceição do Castelo. Ao ver Castelan tocar, decidiu que seria guitarrista, aprendeu todos os acordes, conheceu o contrabaixista Gabriel Bortolin (*28/07/1982, quarta-feira, Cachoeiro de Itapemirim-ES), músico que se mudou de João Neiva para Conceição do Castelo. Bortolin, de família de Conceição do Castelo, tocou no segundo disco da Gelo Seco, e trouxe na bagagem muitos CDs de rock, os quais viraram a cabeça de Makson de pernas para o ar. E assim o menino de cabelo azul e relógio da marca Cássio foi apresentado literalmente aos grupos Green Day, Ramones, Nirvana e outras bandas de rock.

   Banda Amigu's

    Rones, ex-banda Amigu's

      Banda de forró Amigu's


MUITO GELO

O contrabaixista Reinaldo Cardoso (*06/04/1983, sexta-feira, às 2 horas da manhã, São Paulo) juntamente com Bruno Louven (*31/05/1984, quinta-feira, em Alegre-ES), Makson Côra e Gabriel Bortolin, foram os fundadores do movimento punk em Conceição do Castelo. Reinaldo que mora na Áustria desde 2012, recorda que sempre ouviu Nirvana, Rancid, Nofx, Green Day, Pennywise, Blink 182, Bad Religion, Pearl Jan, entre outras bandas. Também tinha algo “brasuca”, tipo Capital Inicial, Raul Seixas e Charlie Brown. 

                Reinaldo, em Salzburg, na Áustria

-Os primeiros nomes das bandas foram Streebacks e Coliformes Fecais, mas após os convites para shows, trocamos o nome para Microfonia, pois para uma cidade pequena era mais tolerado (risos de Reinaldo). Aqui, na Áustria, comunico-me em Alemão, passei do baixo tonante de três cordas para uma Fender 4 cordas. Ainda toco com amigos por puro lazer! Atualmente fazemos som bem acústico, algo mais leve com temperaturas inferiores aos 10 graus centígrados-, explica Reinaldo.






Bruno Louven





Gabriel Bortolin e família 

Locutor “da hora” da Rádio 87,9 FM Conceição do Castelo/ES, Makson lembra a importância das bandas Green Day, Ramones e Nirvana, suas principais influências na música. Aos 15 anos, tocou em uma banda local quando se juntou ao seu primo Reinaldo Cardoso e Bruno Louven (primo de Reinaldo) para formar a banda Microfonia. Bruno Louven, além de ser o baterista/desenhista, ficava responsável pelas artes gráficas da banda Microfonia, como desenhos nos cartãozinho de divulgação. 






Banda Microfonia, antes da era Gelo Seco

-Foi um tempo em que não existia internet. A forma que usei para descobrir novas músicas foi trocar fitas de vídeoclipes com alguns amigos. Conheci o roqueiro Rodolpho Sá Viana (*18/02/1983, sexta-feira, Venda Nova do Imigrante-ES), lá pelo ano de 2002. Ele morava em São José do Calçado e veio morar em Venda Nova do Imigrante. Trouxe umas fitas VHS que tinha clipes das bandas Ramones e Feeder - que eu não conhecia e me amarrei. O clipe de "In a Big Country" (Big Country) foi amor à primeira vista, em uma época que estava ouvindo punk rock. Fiquei imaginando que banda diferente é essa tal de Big Country -, disse. 

Ainda sobre a adolescência, Côra acrescenta que o Big Country tem aquele ritmo bem peculiar bem dele mesmo. Que durante um ano se perguntou se a banda Big Country tinha mais músicas como "In a Big Country, até ter acesso à internet para baixar mais algumas, dando conta de que tinha descoberto a melhor banda do mundo, em sua opinião. 

   O guitarrista Rodolpho apresentou as bandas Ramones, Feeder e Big Country a Makson

LAÇOS DE SANGUE DO ROCK 

Côra fez muitos amigos no Reino Unido e vários lugares do mundo como Sérvia, Itália e Argentina, entre outros países. Na lista dos músicos, inclui os integrantes remanescentes do Big Country. E lamenta não ter tido tempo de falar com Stuart Adamson, o líder, vocalista e guitarrista do Big Country, o qual se tornou seu músico favorito de todos os tempos, sua grande inspiração para cantar e tocar guitarra. Às vezes, sonha que está falando com ele. 

Bruce Watson autografando uma blusa da Big Country para Makson, em Cardiff, País de Gales

-Não tive tempo de falar com Stuart. Conheci a banda em 2002, meses depois do falecimento dele, em 16 de dezembro de 2001, em Honolulu, Havai, nos EUA. Também lamento ter conhecido a banda galesa Feeder só em 2002. Naquele ano, em 07 de janeiro, o baterista John Lee, casado com a modelo brasileira Tatiana Englehart com quem tinha um filho, Cameron, morreu aos 33 anos-, recorda, frisando ainda que conversou com o baixista do Simple Minds, Derek Forbes, que substituiu o baixista fundador do Big Country, Tony Butler, em 2012. Butler tocou junto com Mike Peters, vocalista do “Alarm”, no grupo Big Country. Também fez amizade com Stephen Egerton, guitarrista do Descendents, banda a qual tem o vocalista Milo Aukerman tatuado na perna. E quando o Teenage Fanclub tocou no Brasil conversou com o baixista Gerard Love no Facebook, e no show, ele o conheceu.

Mike Peters, vocalista do Alarm, em Cardiff, País de Gales, autografando uma blusa da Big Country

-Falei que iria viajar 600 km para ver o grupo. E ele disse: “Man, you really came!". Ele deu-me de presente a sua palheta, a única que tinha-, enfatiza.

Forró

Aos 15, Côra substituiu o guitarrista Rones Castelan, que deixou a banda de forró Amigu's. Embora seja “cria” do punk rock sempre fez amigos no mundo do forró. Já tocou em eventos como o Rock da Paraíba ao lado do empresário/cantor e compositor Geronildo Sansão (*26/06/1962, terça-feira, Castelo-ES). Sansão, líder da banda de Forró Chem-En-Em, tem 30 anos de carreira com quatro CDs gravados, em uma história que começou em um concurso de música, em 1986, na comunidade de Pontões, zona rural de Castelo. Na ocasião, participaram 22 grupos jovens. A banda de Sansão era a única que tinha todos os instrumentos, e era formada por Geronildo Sansão, Ademar Nalu (*06/02/1966, domingo, Castelo-ES) e Ronaldo Alledi – Coelho (*10/10/1966, segunda-feira, Castelo). O Chem-En-Em venceu com a música “Roda Morena”. Também foi o primeiro show da banda. Na época, o palco foi em cima de uma carroceria de um caminhão. O Chem-En-Em gravou seu primeiro CD em 1997, emplacando os hits “Roda Morena”, “Aula de Acordeon” e “Antena Parabólica”. Depois do quarto CD, de seis em seis meses, a banda gravava uma musica e colocava na rádio para tocar, rádios como Fama, de Alegre, Cultura e outras.

    Sansão, líder do Chem-En-Em


   Sansão e Makson, no Rock da Paraíba

Após 15 anos, em dezembro de 2016, Makson reencontrou o amigo Rones Castelan. O locutor, que faz sucesso com as mulheres bonitas - quase um Bret Michaels –, sempre usa bermudas do estilo jogador de futebol dos anos 70, camisas com estampas de banda de rock, calças jeans esburacadas, no inverno, tênis da marca All Star, desde os 10 anos, roupas velhas com mais de 15 anos de uso, relógio de pulso da marca Cássio de mais de 20 anos de uso (raridade nos dias de hoje), meias dos anos 50 e cabelo colorido, explica que não usa brincos, bonés ou lenços devido ao fato de gostar de ficar bem leve no palco.

-Nasci em Venda Nova do Imigrante, em 5 de setembro de 1985 (aniversário do Freddie Mercury), no Hospital Padre Máximo, às 17h35. Na época, Venda Nova do Imigrante, pertencia a Conceição do Castelo. Venda Nova do Imigrante emancipou-se em 1989, sou de 1985, portanto, oficialmente, sou cidadão conceiçoense com orgulho. Meus pais se chamam João Côra (descendência italiana, *29/10/1957, terça-feira,) e Zanete Ferrari Côra (*07/01/1962, domimgo). Meu pai sempre freqüentava festas e nessas ocasiões quando alguém gritava o seu nome, mais de dez pessoas olhavam ao mesmo tempo. 

Pensando nisso, cogitou em pôr um nome que ninguém mais tinha, assim acabava o problema. E fui batizado de Makson Côra. Makson vem do inglês Jackson, de Jack (diminutivo de João) e son (filho). – filho de João - Já Côra, sobrenome italiano-, revela o músico, que nasceu no ano de alguns clássicos da música como "Lonely Ol' Night (John Mellecamp), “Every Time You Go Away (Paul Young), “Lover WhY” (Century), “Don't Close Your Eyes Tonight” (John Denver), “Ainda é cedp” (Legião Urbana) e o hino que marcou toda a juventude da década de 80, “Don't You (Forget About Me) - Simple Minds. 

PRIMEIRA GUITARRA/GELO SECO NO AR 

Filho de sanfoneiro ganhou a 1ª guitarra aos 14 anos, presente de aniversário do pai, o aposentado João Côra, 59, conhecido sanfoneiro em Conceição do Castelo. Ele ensinou os primeiros acordes ao filho, e comprou a guitarra em Ibatiba, no Sul do Estado, um modelo Fender Stratocaster Southern Cross, linha especial, série que lançou somente cinco mil exemplares em todo o mundo. E até tentaram roubar a guitarra de Makson, certa vez. 


Aos 14, Makson, ganha a sua primeira guitarra

João Côra, músico do segmento sertanejo, aprendeu a conviver com o filho roqueiro. O barraco até tremia quando ele ensaiava no quarto - disse certa vez o aposentado. E percebendo o amor pelo rock, seu João matriculou seu filho único nas aulas de guitarra, que passou a seguir o seu caminho, apresentando-se em diversas bandas na região.








O menino do cabelo colorido

Makson cursou o Ensino Fundamental e Médio na Escola Aldy Soares Merçon Vargas, em Conceição do Castelo. Também se formou na Faculdade de Administração de Empresas na Univeneto em São João de Viçosa, e no Curso Técnico em Radiologia Média no Centro Técnico Apogeu, em Cachoeiro do Itapemim. Conforme ele, a Gelo Seco começou em 2005 após o fim da banda Microfonia. E o nome da banda é referência a uma música do primeiro disco do Green Day "Dry Ice", que mais tarde descobriu o verdadeiro significado, tratando-se de uma expressão idiomática, que quer dizer ‘suando frio’. A princípio, a banda era cover do Green Day, depois de alguns meses passou a escrever suas próprias canções (demos) e depois o primeiro disco em 2008. 

- Na primeira formação, a banda era Ronan Azevedo Martinusso (*25/07/1989, terça-feira, às 21h10, Conceição do Castelo-ES), bateria, Ramon Martinusso (*21/02/1992, sexta-feira, Conceição do Castelo-ES, às 21h10), na segunda guitarra, e quando Ramon saiu, a banda ficou com uma guitarra e Rafael Moreira Rocha (*29/11/1988, terça-feira, à meia noite, Conceicão do Castelo), no baixo. As influências musicais eram as mesmas: Punk rock e pop punk, especialmente Green Day. Também gostávamos de Ramones, Misfits, Blink 182 entre outros. -, explica, reforçando que Rafael Moreira Rocha, formado em Administração, atualmente cursa Engenharia de Aquicultura, em alegre, na UFES. E Rafael não toca mais, apenas ouve, e no momento está ligado em um som mais progressivo como Pink Floyd, Led Zeppelin e ELP. Já Ramon Martinusso, formado em Odontologia, na UVV, tocou uns tempos bateria, mas começou como guitarrista. Ronan gravou os dois primeiros CDs, de 6 a 7 anos da Gelo Seco. 






Makson, Ronan e Rafael











Ramon Martinusso, tocou guitarra na primeira formação da Gelo Seco. Tornou-se um talentoso odontólogo 










Quanto aos CDs da Gelo Seco, são vendidos entre os amigos e admiradores do punk rock. Inspirações do cotidiano da cidade não faltam para as músicas, que tocam nas rádios e festas locais. É o caso da faixa “Morro da Torre”, do primeiro CD autoral. O menino dos cabelos coloridos, a qual compõe, produz e divulga o trabalho do grupo, lembra que certos larápios costumavam escalar a torre de TV de Conceição do Castelo para desligar a torre de transmissão. E se o dia escolhido era de clássico de futebol ou final de novela, fazia aquele estrago em uma cidade como Conceição do Castelo, que na época nem sabia o que era parabólica ou TV a cabo. Apesar de não tocar viola, gosta de trocar ideias com violeiros da região, como Edinho Ferreira, buscando inspiração para outras músicas, valorizando a delícia de “viver como um bom caboclo”, no entanto fazendo um barulho que em nada lembra a zona rural, pois a bateria lembra as pancadas do Tré Cool, do Green Day. 

- Sempre tive a sensação de que nem todo mundo que mora no interior gosta de forró e música sertaneja. Daí, vi essa necessidade de compor canções para pessoas do interior que gostam de rock-, explica Makson. 

PRIMEIRO VIDEOCLIPE 

E aconteceu! No primeiro clipe da Gelo Seco, a dona de casa Zanete Ferrari Côra, de 54 anos, mãe de Makson, que sempre o apoiou em seus projetos musicais, se dispôs a figurar em um dos primeiros clipes amadores da banda, época em que era difícil arrumar lugar pra tocar, pois o ritmo que predominava era sertanejo e forró. 

- Tinha muitos jovens que gostavam do ritmo e tocamos em muitos lugares. Hoje em dia, no interior, o rock acabou de verdade, as rádios foram tomadas totalmente pelo sertanejo universitário, não há mais variação de estilos, é um estilo só de música e se você não toca aquilo, seu som não é legal, isso é uma grande pena -, desabafa. 

DE CUECAS 

E rock tem de tudo. No show de lançamento da cerveja Antarctica Sub Zero, no Ilha Acústico, em Vitória (ES), no sábado de 09 de outubro de 2010, a Gelo Seco participou de um festival. Makson, Ronan e Gabriel viveram uma noite ruim. Era o último de seis grupos previstos para se apresentar. Os shows atrasaram tanto que sobraram poucas pessoas para assistirem à apresentação da Gelo Seco. Já passava das três da manhã, e tocaram “Territorial Pissings”, do Nirvana. O show durou 1 minuto e 30 segundos. Foi o show mais rápido do Estado do Espírito Santo. Em protesto, Makson ficou de cueca no palco.

No show de lançamento da cerveja Antarctica Sub Zero, no Ilha Acústico, em Vitória (ES), em 2010, tocando de cueca

Diferente das décadas em que não havia redes sociais e outras plataformas para divulgação de músicas na internet, a venda de CDs se tornou mais fácil – lógico que a pirataria impera – possibilitando que o artista viva dos shows. A Gelo Seco, como outras, faz shows pequenos e muitas vezes o contratante banca apenas o combustível do carro e as despesas com alimentação. Pensando nisso, o baixista Marcos Tadeu, da banda Jurassic Band e Gelo Seco, que certa vez tocou na banda de Sansão – garoto simpático da banda Chem-En-Em -, economizou na gravação do último CD, optando pelo estúdio caseiro, em vez do profissional. 

- Tendo em vista que, muitas das vezes, a gravação e a prensagem do CD ficam “salgadas”, em torno de R$ 5 mil, e por se tratar de produção independente, sem apoio de gravadora, é muito difícil divulgar. Os eventos da região optam por bandas cover em detrimento dos artistas autorais, o que dificulta viver só de música. O último CD do grupo é um disco temático, dividido em quatro capítulos, como se fosse um livro, conhecido no meio musical como “Opera Rock”. A última faixa é a mais punk rock do disco. Os versos narram o dia em que me perdi numa matinha da cidade -, articula o menino do punk. 

AMIGO RONNIE 

Este ano, pela 11ª vez, Côra passará o carnaval na casa do amigo Ronei Silveira Valeriano ou Ronnie Silveira (*16/05/1994, segunda-feira, às 14h55, Vargem Alta-ES), em Vargem Alta. Silveira cursa Direito na Faculdade São Camilo, em Cachoeiro do Itapemirim, e ao lado de Makson participará do famoso Rock do Paraíba. 

- Vêm músicos de todos os lugares e todos tocam juntos sem ensaiar, pelo menos umas 6 horas de rock por dia. É o famoso e tradicional Rock do Paraíba – onde não tocam bandas e, sim, uma “Jam Session”. Meu amigo Sansão, um amigo muito querido, todo ano faço questão que ele leve a sanfona e toque conosco os clássicos do Chen-Em-Em. Toco Guitarra, baixo, violão e ukulele, e estou aprendendo um pouco de bateria. Fico na casa do meu amigo Ronnie Silveira. Ele é baterista das bandas All Night, Aroldo Sampaio, Jurassic Band, Badallados e certa vez tocou no Chem-En-Em. Lá é todos juntos, rock sem fronteiras.











Makson, Paraíba, ao fundo, o que dá nome ao evento, Sansão, Elvis, no baixo e Thiago Paraíba, filho do Paraíba, na bateria





Rock da Paraíba 

Junto com Ronnie e Marcos Tadeu tenho o projeto paralelo Os Silveiras, no qual tocamos clássicos dos anos 80, em versão de punk rock. Gravamos “Take on me”, do A-há. O nome do conjunto é Os Silveiras devido ao sobrenome do Ronnie. Como ficamos sempre lá, somos todos da família -, disse o músico, destacando que o punk rock é um movimento musical e cultural, que surgiu em meados da década de 1970 e tem como principais características músicas simples (que geralmente não passam de três ou quatro acordes), rápidas e agressivas, temas que abordam ideias anarquistas e revolucionárias, ou sobre problemas políticos e sociais como o desemprego, guerra e a violência.







O batera Ronnie, da banda Jurassic Band e Makson, tocando em Cachoeiro do Itapemirim






o baixista Marcos Tadeu, da banda Jurassic Band e Makson, em um show no município de Cachoeiro do Itapemirim 

QUASE UM BRET MICHAELS 

O galã que faz sucesso com as mulheres diz não ter “pinta” de cantor dos anos 80. Que suas vestes e música, a qual ouve, o fazem ser lembrado como um cidadão dos anos 80. E durante um show, na Festa do Morango de Pedra Azul, em 2008, a galera ficou tão louca que rasgou até a calça dele, cantando junto as músicas da banda Gelo Seco. Ele, desde novinho, pinta o cabelo e seus pais se divertem com as cores diferentes. Sempre gostou de jogar futebol, tocar rock e da vida pacata em Conceição do Castelo, não gostando de sair e freqüentar as festas, onde sempre há um gênero de música que não suporta. 

- Não bebo e nem fumo. Minha vida é aqui, faço exercício físico todos os dias. Em casa, fico tocando meus instrumentos, assistindo a filmes, documentários, séries e muitos shows. Às vezes, jogo games, não com a mesma frequência de 15 anos atrás. Meus planos para o futuro é continuar compondo e gravando com a Gelo Seco, para que no futuro tenhamos uma grande discografia. Ainda quero continuar me desenvolvendo como locutor de rádio, que é a profissão na qual atuo desde 2012 -, realça.






Makson, entrevistando o Trio Parada Dura

   Makson, tocando batera, no Rock da Paraíba, em 2016

TODAS AS ROSAS 

Evidentemente, sem medo de errar, o amor e a música são dois vizinhos distantes, em uma fronteira do não correspondido, travado por um “Se”. Quantos cantores expressaram suas frustrações amorosas em uma canção, frutos de um amor que não deu certo. E na lista dos famosos estão Paul Stanley e Bret Michaels, respectivamente guitarrista/vocalista do Kiss e vocalista do Poison. Paul Stanley, em 1982, escreveu a canção "I Still Love You" (Ainda Amo Você), após ter terminado seu namoro com a atriz Donna Dixon, que o trocou pelo ator Dan Aykroyd (Os Caça-Fantasmas). “Every Rose Has It's Thorn” (Toda Rosa Tem Seu Espinho), um clássico da banda Poison, lançado em 1988, foi fruto do término do relacionamento entre Bret Michaels e sua namorada, Tracy Lewis, de acordo com o que o próprio vocalista relatou em uma entrevista para o “VH1 Behind the Music”. Após tocar em um bar de Dallas, no Texas, Michaels ligou de um ‘orelhão’ para o apartamento de Lewis, em Los Angeles, e ouviu uma voz masculina. No dia seguinte, devastado com a situação, Bret levou seu violão para uma lavanderia e escreveu a canção em um bloquinho amarelo, enquanto esperava as suas roupas ficarem secas. Ele comentou que a rosa era a sua carreira decolando, enquanto o espinho foi o preço a se pagar pelo sucesso, o que acabou custando o seu namoro com Lewis. Comovente! 

Makson é o espelho das músicas do Poison e Kiss, não foi traído, mas seus relacionamentos duraram no máximo três anos. Seus namoros não vingaram cada um teve seu tempo e cota de consequências. O amor não foi muito legal com o menino dos cabelos azuis. A música “Te Roubaram de Mim” conta a história de um namoro malogrado. “Deixando Lana”, faixa 3 do disco “A Decadência do Rock n'Roll” (2° CD), aborda a questão de aceitar que o relacionamento não deu certo, devendo seguir em frente. Na verdade, somente o músico e o escritor, o qual por trás da tela do computador está fazendo a biografia, sabem os verdadeiros significados e personagens das músicas e as decepções amoras, que viraram quase uma “Every Rose Has It's Thorn”. 

A canção “Envelhecendo” retrata situações corriqueiras no interior do Estado. “Aquele Conhaque”, narra as desventuras de um caipira que vai para a praia e se apaixona perdidamente por uma prostituta. “Rastão Mínimo Rebelde” é alusão a um personagem real da cidade, que bebia todas e arrumava confusão com freqüência, no início dos anos 2000. Ele fazia muita farra em Conceição. Hoje, Rastão mora em outra cidade, é casado, e gosta de ter sua história imortalizada na música. “Morro da Torre” é uma traquinagem clássica do interior e se tornou um dos grandes sucessos da banda Gelo Seco. A faixa retrata as constantes interrupções do sinal da torre em dias de jogos do Brasil ou final de novela, provocados pela garotada no ponto mais alto da cidade. 

PUNK POÉTICO 

Geralmente, calças rasgadas, tênis All Star, dentre outros, são apetrechos ligados umbilicalmente ao punk rock. Não se pode fugir de alguns clichês quando se fala do trabalho do grupo de rock punk conceiçoense Gelo Seco com suas histórias alegres e tristes de corações despedaçados. Parece conversa de maconheiro, que nunca viu sequer um cigarro comum, mas não tem como definir o trabalho excepcional dessa banda que conquistou toda a bandeira do rock punk. 

E o guitarrista líder, com seu irrefutável talento poético, descreveu bem a retomada do punk rock, que começou nos anos 70. Gelo Seco é o nome popular dado ao gás carbônico, ou dióxido de carbono dióxido (CO2), quando o referido se apresenta no estado sólido, e para que isso ocorra, deve-se levar sua temperatura até -78°C, que é o seu ponto de congelamento. A tese viva e correta é que nem todo roqueiro tatuado ou não, é drogado, bêbado ou baderneiro. A sociedade que julga é aquela que tem drogados nas repartições da justiça, medicina e educação, entre outras elites. A droga não escolhe rosto bonito, corpo atraente e classe social e faz vítimas aleatoriamente. Ela é uma questão de escolha de vida, a qual tem um preço, pois colhemos o que plantamos. Rock punk, sem fronteiras, amor ao próximo, em um mundo conturbado pelo homem racional. Viva Gelo Seco!

   Toni Boni , a qual Makson tocou entre 2014 a 2016


Para ouvir Gelo Seco acesse https:
https://www.palcomp3.com/geloseco/